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NESTLE
São Luiz
De 09 a 11 anos
Meio do ano também é época de mudar de escola.
Mas a troca só deve ser feita se a criança estiver enfrentando sérias dificuldades de aprendizado.

José Vicente pode não ter decorado a tabuada, mas uma lição, pelo menos, ele sabe de cor: a que diz respeito à mudança de escola. Com apenas 10 anos, ele já passou pela experiência duas vezes. "Da primeira, ele saiu porque não conseguia acompanhar a classe e bombou. Optamos pela troca para que ele não ficasse constrangido diante dos amigos", justifica Francisco, pai do garoto. Na nova escola, o problema se repetiu. Já no final do primeiro bimestre, as notas de José Vicente estavam tão ruins, que a própria orientadora do colégio aconselhou a transferência. O resultado foi surpreendente. José foi muito bem recebido na nova escola, não teve problemas com os colegas e está superando suas dificuldades de aprendizagem com aulas de reforço.
A história de José Vicente teve final feliz, mas não deve ser tomada como regra. Até porque mudar a criança de escola no meio do ano é uma atitude drástica, que só deve ser tomada depois de muita ponderação, levando em conta as dificuldades dela e não a ansiedade dos pais. As trocas são especialmente desaconselháveis para crianças dessa faixa etária. Nessa idade, elas começam a perceber que, dentro da escola, dependem apenas de si mesmas, seja nas questões de aprendizado, seja nos relacionamentos com colegas e professores. A descoberta em si já é assustadora. Imagine, então, se for acompanhada de uma mudança que não atenda às dificuldades concretas das crianças.


Sinais reveladores. Mas como saber se o seu filho tem problemas que realmente justifiquem a decisão de passá-lo para outra escola? Nessa idade, as crianças ainda não conseguem falar sobre os seus conflitos internos. Em compensação, emitem inúmeros sinais de que estão em apuros. E cabe aos pais ficar atentos a eles.
A recusa em ir para a escola é o mais comum e costuma vir acompanhada de falta de interesse pelas lições e, claro, notas baixas. Outros sinais são crises de choro inexplicáveis, sono agitado, irritabilidade, apatia, agressividade. Às vezes, surgem até reações físicas, como febre e dores de cabeça. Uma coisa, porém, não deve ser esquecida: os problemas nem sempre terminam com uma mera troca de endereço. Qualquer mudança exige adaptação a novas realidades e ambientes e, quando o assunto é escola, um dos maiores desafios para a criança é o de se integrar à turma. Nesse item, os pais até podem dar uma mãozinha. Como? Tentando uma aproximação com outras mães do colégio, abrindo caminho para o entrosamento da criança, ou convidando os novos coleguinhas para uma rodada de cachorro-quente e refrigerante em casa. Vale usar qualquer recurso que a criatividade sugerir para ajudar o filho a fazer novas amizades. Mas não se deve deixar que ele esqueça dos "velhos" amigos. É importante fazê-lo sentir que é bom criar novos vínculos, mas que também é preciso manter os laços antigos. Um telefonema aqui, uma visitinha ali são comportamentos que devem ser incentivados. Dessa forma, você estará ensinando uma lição que vai valer para a vida toda: a de que a mudança não é sinônimo de rompimento.


Acertar o passo. Claro que a adaptação à nova escola passa também por questões de ordem didática. Matérias que seu filho ainda iria aprender na velha escola podem já estar sendo vistas na nova, por exemplo. Portanto, marcação cerrada com os estudos dele, para detectar as dificuldades. Não descuide dos cadernos, acompanhe de perto as lições de casa e mantenha um contato estreito com os professores, para saber como anda o desempenho do filhote. Se for o caso, aulas de reforço também podem entrar no programa e geralmente dão bons resultados. Mas nunca nas férias, por favor, porque aí elas vão parecer o que não são: um castigo. Outra coisa que ajuda muito a começar uma vida nova com o pé direito é deixar a velha escola em clima de alto astral. Martha Fadul, por exemplo, preparou um verdadeiro ritual de despedida quando Juliana, sua filha, deixou o colégio. Sabendo que a menina não iria voltar depois das férias de julho, no último dia de aula ela fez Juliana levar um presentinho para cada coleguinha da classe e outro para a professora. "Ninguém esperava por isso e a surpresa agradou a todos, que retribuíram o gesto com uma grande demonstração de carinho", conta a mãe. Juliana foi para a nova escola feliz da vida e lá também ganhou uma gostosa recepção de boas-vindas, que contribuiu para que ela se sentisse totalmente em casa. Nesse movimento de troca de escolas, também é importante não cair na tentação de acreditar que mudança de escola muda o aluno. O caso de Rafael exemplifica bem essa tese. Ele saiu de uma escola, na terceira série, porque a mãe achou que os problemas pessoais da professora estavam comprometendo seu desempenho em classe e prejudicando o garoto. Nova escola, novos problemas e outra mudança, um ano mais tarde. O que esse troca-troca acaba por ensinar a uma criança como Rafael? Que se uma situação se complica, basta pular fora... Fácil né? Mas a gente sabe que, na vida, não é assim que as coisas acontecem. Na maioria das vezes, somos nós que temos que nos adaptar aos ambientes, e não os ambientes a nós. E seria bom que as crianças entendessem isso desde cedo.







QUE NOTA VOCÊ DÁ?


Na hora de escolher uma nova escola, leve em conta, primeiro, a personalidade de seu filho, seus pontos fortes e fracos, e procure uma cuja metodologia se enquadre nas necessidades dele. Verifique se:



  • A filosofia da escola tem a ver com seus valores de vida;
  • O conteúdo é transmitido aos alunos de forma atrativa;
  • Os materiais usados são bons;
  • A escola possui espaço físico com boa estrutura e funcionalidade. Conta pontos a que tem uma biblioteca bem equipada, quadras de esporte, salas de aula iluminadas e arejadas, banheiros limpos;
  • O número de crianças por sala não excede a 30;
  • A qualificação da direção e dos professores é boa;
  • Há opções de esporte e outras atividades extracurriculares;
  • A escola tem um bom esquema de segurança.



(01/02/2006) Fonte: revista crescer
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